Perseguições ferozes e críticas sociais

Em um futuro pós-apocalíptico não muito distante, recursos como água e comida tornaram-se escassos. A humanidade, ou o que restou dela, vive em um processo de “reprogresso”, dizimando uns aos outros para sobreviver em um mundo tomado por um extenso deserto. Essa é a premissa de uma das franquias mais memoráveis da história do cinema.

Em “Mad Max: A Estrada da Fúria” acompanhamos Max Rockatasky (Tom Hardy), um homem solitário em busca de paz e redenção que se vê forçado a unir forças com Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na luta contra Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) para salvar um grupo de garotas. Considerado um dos melhores filmes de ação de todos os tempos (e na minha opinião, o melhor de 2015), “Estrada da Fúria” é o quarto filme da franquia dirigido pelo australiano George Miller. O longa foi muito bem recebido pela crítica e conquistou bons números de bilheteria, além ser premiado em 2016 com o Oscar de Melhor Edição, Design de Produção, Figurino, Cabelo e Maquiagem, Edição de Som e Mixagem de Som, além de ter sido indicado nas categorias Melhor Filme, Diretor (George Miller), Fotografia e Efeitos Visuais.

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Originalmente, o primeiro longa da franquia (Mad Max) foi lançado em 1979 e foi estrelado por Mel Gibson que iniciava sua carreira como ator. O filme se destacou dos outros longas daquela época, principalmente por sua estética e roteiro inovadores. A forma como a trama era conduzida diferenciava-se de maneira significativa das outras produções Hollywoodianas. “Aqui, vemos os últimos dias ‘normais’ de um homem que tinha tudo e acaba caindo em um abismo de loucura. Assim, o ‘louco’ e ‘enfurecido’ (duas palavras que traduzem a expressão ‘mad’ para o português) Max se transforma em um anti-herói em busca de vingança e de esquecimento.” — (retirado do site Adoro Cinema).

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Em ” Estrada da Fúria”, esses aspectos foram mantidos e mais uma vez Miller apresenta uma obra fora da “normalidade” cinematográfica da qual estamos acostumados. Esta não é apenas uma história sobre o temido futuro para o qual a humanidade está caminhado, com o consumo desenfreado de recursos naturais, o pesado processo de industrialização e tecnologia que domina nossas vidas e que potencialmente resultará em um mundo ambientalmente caótico. Na verdade, o roteiro propõe discutir e explorar a loucura humana. Procura mostrar como pode ser frágil a linha que separa a sanidade social em que vivemos, mantida por leis e normas de convívio, de um furioso descontrole impulsionado pela necessidade de sobrevivência. Em todos os filmes da franquia conhecemos personagens que de alguma forma tentam restabelecer a ordem, seja através de leis potencialmente primitivas ou pelo uso da violência. Enquanto isso, nosso protagonista prefere estar sozinho. Em toda a franquia, ele é apresentado como um viajante solitário que carrega o peso da perda de sua família e por isso vaga pelo deserto em busca paz e redenção

A trama é conduzida de forma frenética, quase não deixando o espectador retomar o fôlego. Sequências de ação muito bem construídas elevam a adrenalina ao máximo: perseguições no deserto e explosões são quase hipnotizantes. Mas em seus poucos momentos de calmaria, um excelente roteiro é apresentado. E por falar em roteiro, há um ponto muito interessante e sutil . A partir do segundo ato do filme, Max deixa de ser o foco da história, pois esda função é passada para a Imperatriz Furiosa. A presença de protagonistas femininas fortes e a importância de suas ações ao longo da trama revelam que a mensagem contida no roteiro conversa diretamente com as mulheres. Desta forma, ao final do filme, Max se torna um coadjuvante e o papel de “grande herói do dia” passa a ser de Furiosa.

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Mas não só de grandes textos vive o cinema. A prioridade de George Miller em usar efeitos práticos fazem com que seus filmes naturalmente se destaquem. Quase tudo o que vemos na tela realmente existe : veículos, cenários e até mesmo as insanas cenas de perseguição no deserto são marca registrada da franquia. E para a alegria dos fãs, em “Estrada da Fúria” não foi diferente: as filmagens foram feitas no deserto da Namíbia; todos os veículos vistos no longa foram construídos e de fato funcionavam; a maioria das várias explosões são reais etc. Este fator tão marcante levanta inclusive a discussão sobre o uso excessivo de CG (computação gráfica) pelos grandes estúdios de cinema.

 

Concluo este texto afirmando que o trabalho desenvolvido por George Miller com a franquia Mad Max se destaca por diversos fatores (roteiro,fotografia, trilha sonora etc). Com uma primeira vista, os filmes podem causar certa estranheza, mas quando analisados de forma mais profunda, revelam-se como grandes e memoráveis obras cinematográficas, além de ser uma referência para os filmes de ação que estão por vir.

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