A transformação de lendas em filmes

Sinopse: Há muito tempo atrás, existiam raposas de nove caudas chamadas de Gomiho. Essas raposas tinham o poder de se transfigurar em qualquer animal, inclusive o ser humano, que com medo começam a maltratá-las, fazendo com que fugissem para bem longe nos campos das montanhas. A história começa quando um grupo de extraterrestres pousa nessas montanhas e encontra uma das últimas raposas, Yobi, a raposa de cinco caudas. É aqui que a história começa…

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Quando se trata de animações internacionais, muito se fala dos sucessos da Disney e Pixar, encobrindo outras que podem ser tão interessantes quanto. As japonesas perdem território e as próprias animações brasileiras são conhecidas por poucos. E o que falar… das animações coreanas?! Parece loucura, mas há um mercado crescente na coreia de animações. A maioria é voltada ao público infanto-juvenil, com uma certa trama que apela também aos adultos ao passar uma mensagem mais profunda. Assim como Zootopia, “Yobi – A Raposa de Cinco Caudas” conta com um visual carismático e agradável, mas também com uma história que traz uma mensagem mais complexa quando se para e analisa. E é isso que vamos explorar nesta resenha.

O filme possui belas cores e uma animação fluída, inspirando-se em animações como as feitas pelo Studio Ghibli, usando de um recurso narrativo mais voltado à imagem. A intenção de criar um mundo colorido e espalhafatoso é boa, só que há uma diferença crucial entre Yobi e os filmes do Studio Ghibli. Se pegarmos uma animação que também se baseia em uma lenda, O Conto da Princesa Kaguya, poderemos fazer uma comparação melhor.

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Baseado na lenda da Kitsune, o filme adapta o conto, adulterando-o da seguinte maneira: havia mais de uma raposa e elas foram caçadas até sobrar apenas uma. Esta, ao invés de nove caudas, tem cinco e, ao invés de precisar viver entre os humanos, tem de conseguir a alma de um se quiser ser capaz de permanecer como uma. Contudo, esse não é o objetivo dela e esta deseja cuidar de todas as formas de vida, incluindo os humanos. Por isso, quando um de seus amigos alienígenas é capturado, ela parte em uma missão que a fará ter contato fixo com os humanos, criando amizades e situações intensas.

A fidelidade à lenda se perde e dá lugar a várias possibilidades. Muitos que assistiram ao filme da lenda de Kaguya, disseram que era enrolado e muito longo, já que ele segue até os mínimos detalhes da história. Com a possibilidade de expandir e criar novas cenas, o que diretor Lee Seong-gang nos traz? Uma versão piorada de A Viagem de Chihiro, com muitos problemas de roteiro similares ao filme de Kaguya. Muitas cenas parecem que só estão adiando o fato da libertação do amigo alienígena, sem fazer qualquer progressão de interação da protagonista com todos os personagens senão os principais. Mesmo sendo um tanto dramático e até mesmo fofo, você sente a que está faltando algo; faltou um cuidado extra que dá charme a um grande universo igual ao de Chihiro, em que até um rio pode ser um aliado útil.

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Apesar disso tudo, o final e a animação como um todo compensa a espera. Você tem momentos tristes e grandes apelos visuais, com cenas de transição que o fazem pensar que está em outro mundo, conhecendo novos ambientes e sensações. É uma animação que faz o que precisa, mas que poderia fazer muito mais. E a pouca divulgação da mesma fez com que quase passasse despercebida ao ser dublada aqui no Brasil. Se for para competir com animações maiores, é preciso ir além do básico e criar algo com muita paixão.

É difícil dizer se recomendo ou não este filme. Pode agradar uns e outros não, assim como qualquer outro tipo de recomendação. Mas neste caso, é um nicho muito específico. Se você gosta de lendas orientais e de reconstruções, aqui há um filme com grande apelo visual e um certo drama, apesar dos personagens e história um tanto fracos. Senão, há animações melhores para se assistir no momento. Portanto, esta acaba descendo na lista prioritária, mesmo não sendo ao todo ruim. A escolha de assistir ou não vai de cada um.

Pontos Positivos:

  • Bons visuais com direção competente.
  • Clima sombrio se sobressai quando precisa.
  • Drama bem ritmado nos momentos certos.
  • Bom final.

Pontos negativos:

  • Apesar dos principais terem uma construção dentro do ideal, os personagens secundários são bem fracos.
  • Todas as intervenções na lenda são bem forçadas e os alienígenas não são nada carismáticos; chegam até a serem chatos.
  • O ritmo poderia ser melhor trabalhado, parece que uma hora de filme é só enrolação.

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